Escutei o Jimmy bater na porta de leve e tirei o ipod.
-Gabi? - ele perguntou.
Eu abri a porta e sentei na minha cama.
-Desculpa Jimmy, eu não queria ter estragado sua noite, eu só estava indo até a cozinha...
-Gabriela se tem alguém aqui que tem que te pedir desculpa sou eu, eu levei uma garota aqui em casa e quase que você pega a gente transando. Desculpa, eu pensava que você ja tava dormindo.
-Cadê ela?
-Eu mandei ela ir embora.
-Jimmy, ela era bonita.
-Eu sei, mas depois do que aconteceu você acha que nós iríamos continuar fazendo aquilo?
Eu ri.
-Desculpa Gabi, eu sou seu irmão mais velho, eu deveria ser um exemplo não ficar trazendo meninas aqui para casa.
-Ta tudo bem.
-Ei, adivinha quem vem almoçar aqui amanhã?
-Quem?
-O Ben (para quem não lembra o Ben é meu outro irmão americano que eu não via muito porque ele tava fazendo faculdade).
-SÉRIO?!
-Aham.
-Ok Jimmy, agora eu acho que vou dormir, ta bem?-Aham - ele me deu um beijo na bochecha e saiu do meu quarto.
QUEEE VIDINHA A MINHA, VIU?
Era domingo, dia de acordar tarde e dormir mais um pouco. Mas aquele foi diferente, o Ben chegou cedo e eu tive que levantar da cama para ir comprimentá-lo.
-Beeeeeeeen! - eu pulei em cima dele.
-Como vai a minha brasileira favorita? - ele disse sorrindo.
-Ta tudo ótimo.
O Jimmy desceu também:
-Fala parceiro.
-Eai rapaz - eles fizeram um toque.
-Eu tava pensando de nós irmos no fliperama vocês topam? - o Ben perguntou.
-Aham - eu e o Jimmy respondemos juntos.
-Ah propósito, cadê a mãe, o pai e a Lau?
-Eles só chegam na hora do almoço. Eles foram viajar e a Lau ta na casa da Alice - eu respondi.
-Certo, vamos? - o Ben perguntou.
-Assim? - eu apontei para o meu pijama.
-Do jeito que você demora para se trocar é melhor você ir assim mesmo - o Jimmy disse.
-O Gayzão, deixa a menina se trocar em paz - o Jimmy revirou os olhos.
O Ben era a única pessoa que abaixava a bola do Jimmy em casa, aquela história de irmão mais velho, ídolo.
Eu fui para o meu quarto e abri o guarda roupa. Peguei um shorts jeans e uma camisa marrom e meu all star. Escovei os dentes, pentiei o cabelo, lavei os rostos e desci.
Nós fomos para o carro de Ben e o Jimmy ia sentar no banco da frente mas o Ben impediu.
-Aonde estão seus modos menino? - ele abriu a porta de trás enquanto o Jimmy revirava os olhos.
Eu liguei o rádio e coloquei o cd que tinha minha música com o Ben. Era a dos Back Street Boys, I want it that way. Nós ficamos cantando que nem uns retardados enquanto o Jimmy ficava lá atrás com os beats dele. Quando o Jimmy inventa de ter mal-humor é um saco. Ele devia estar nervoso por ontem mas eu nem ligava, eu tava com o Ben, a pessoa mais divertida que eu conhecia.
Chegando no fliperama, para variar, o Jimmy e o Ben foram jogar aquele jogo de carros só para dois e eu fiquei sozinha. E já que o fliperama era dentro do shopping eu resolvi dar uma volta pelas lojas. Eu ficava andando quando eu percebi que eu tava sendo perseguida, era um grupo de garotos de uns 18 anos e serio eu tava com medo. Eu comecei a correr em direção ao fliperama mas um deles (que devia ser o chefe do grupo) me pegou pelo braço.
-Ta com medinho? Calma, eu não mordo - ele disse me prendendo na parede.
Olhei em volta, não tinha nenhum segurança, ninguém. Era um shopping no domingo de manhã.
-Me larga seu otário - eu disse dando um chute (aqueles com o joelho) no piu piu dele e sai correndo.
Ele gritou para os amigos dele irem atrás de mim e mano, eu tava morrendo de medo. Comecei a correr que nem uma louca, mas eles eram rápidos e estavam quase me alcançando.
Até que eu vi o Justin e corri para ele abraçando-o.
-Fica atrás de mim - ele disse.
-Sai dai pirralho, vai ser pior para você - um dos garotos disse.
-O que você quer com ela? Não tem vergonha não?
-Eu to te avisando, melhor você ir embora.
-Você só pega ela por cima do meu cadáver - o Justin disse agora de cara a cara com o muleque.
O garoto deu um soco no Justin e ele caiu.
-Levanta boiola - o menino disse enquanto os amigos dele riam. Cara eu não sabia o que eu ia fazer, eu só sabia que eu tinha que manter a calma.
O Justin levantou, olhou para cara dele e deu um baita soco nele tipo de proficional. O menino começou a cuspir sangue.
-Quer continuar? - o Justin perguntou.
Tarde demais, os meninos já tinham ido embora. O Justin correu até mim.
-Você tá bem?
-Só um pouco assustada - eu disse abraçando ele e olhei para sua cara - Justin isso vai ficar roxo - eu comecei a acariciar o rosto dele.
-AI!
-Desculpa. Vamos até o banheiro, para eu fazer um curativo.
-Curativo com o quê?
-Você acha que eu tenho uma bolsa para quê?
Nós fomos até o banheiro, homens e mulheres. Eu empurrei ele para o das mulheres, eu não ia entrar no banheiro de homem nenhum.
-NÃO! PARA! - ele disse.
-Tarde demais.
Eu puxei dois banquinhos que tinha lá e peguei um algodão que tinha na minha bolsa. Passei água e coloquei na parte da sombrancelha dele que estava sangrando. Ele se controceu.
-Quer ficar quieto?
-É só que dói.
-Desculpa Justin, voce não precisava ter feito aquilo.
-Ah é, e deixar os caras te estruparem... Nem se eu não te conhecesse deixaria.
-Brigada - eu disse pegando o ban daid (não sei como se escreve) na minha bolsa.
-Você pensa em tudo?
Eu ri.
-Ué, você também parece que preve o futuro: vou no shopping no domingo de manhã porque ela vai ser atacada por uns meninos e eu tenho que salvar ela.
Ele riu.
-Minha mãe pediu para eu comprar pão para ela, mas eu não sabia onde ficava a padaria, então eu lembrei que tinha um super mercado aqui.
-Ta pronto - eu disse.
-Para onde nós vamos agora?
-Para o fliperama, eu estava lá com o Jimmy e o Ben.
-Ben?
-Meu outro irmão.
-Nós realmente não fomos feitos um para o outro.
Eu ri.
-Silêncio sobre nós, ok?
-Sim madame.
Chegando no fliperama o Ben se assustou em me ver com um garoto, e ainda por cima maxucado. Já o Jimmy ficou mudo, parecia que ele já tinha entendido tudo e que não queria saber.
-Gabi, o que aconteceu?! - o Ben perguntou.
-Eu fui dar uma volta, e alguns meninos começaram a me perseguir, dai o Justin, amigo do Jimmy me protegeu.
-Você ta bem princesa? - o Ben perguntou.
-Eu to, mas o Justin....
Ele olhou para o Justin.
-Valeu cara te devo essa -ele deu um tapa nas costas do Justin.
-Você não devia andar por ai sozinha, - o Jimmy resmungou - é nisso que dá.
-O importante é que ta tudo bem Jimmy - o Justin disse.
O Jimmy não conseguia olhar na cara do Justin, era como se ELE QUE TIVESSE QUE ME PROTEGER.
-Então, você quer almoçar em casa Justin? - o Ben perguntou.
-Bom, se não for incomodo...- o Justin disse.
-Mas é... Almoço em família de domingo, sem estranhos - o Jimmy disse.
-Jimmy! - eu disse.
-Não, tudo bem Gabi, eu entendo. Eu acho que eu tenho que voltar para casa mesmo - ele me deu um beijo na bochecha - mais cuidado da próxima vez - e foi embora.
Eu não acreditava que o Jimmy tinha dito aquilo.
-POR QUÊ VOCÊ DISSE ISSO JIMMY? - eu perguntei.
-O garoto agora vai ficar dando de herói...
-MAIS PORRA ELE NÃO É SEU AMIGO? - o Ben perguntou.
-É... Mais só porque defendeu a Gabi agora acha que tem o direito de fazer o que bem quiser, daqui a pouco vai querer até namorar ela.
-JÁ PENSO QUE SE NÃO FOSSE ELE AGORA JIMMY EU PODERIA NÃO SER MAIS VIRGEM?!! HEEIM?! E NÃO É CULPA DELE QUE NÃO FOI VOCÊ QUE ME PROTEGEU! APRENDE A SER MENOS INFANTIL, TÁ BOM?!
Eu disse indo atrás do Justin. Eu tava pouco me lixando para o que os dois iam pensar. Fui até o estacionamento e achei o carro do Justin. Ele já estava ligando o carro quando eu bati no vidro perguntando para entrar. Ele tirou a tranca e eu abri. Ele estava mal - humorado dava para perceber.
-Qual é a dele? - ele me perguntou.
-A dele é que ele sempre quer me proteger e que ninguém mais faça isso.
-Se ele não permite nem que eu te proteja, já penso então quando ele souber que nós estamos juntos?
-Você acha que eu ainda não pensei nisso?!
Ele suspirou.
-QUE MERDA! - ele disse batendo no volante.
-Eu te perguntei se você queria mesmo fazer isso, lembra Justin?
Ele ficou mudo.
-Você lembra o que você respondeu?
Ele continuou mudo e eu peguei em sua mão.
-Você disse que não iria desistir de nós.
Ele ligou o carro.
-Aonde nós vamos?
Ele riu baixo.
-Não precisa dizer nada - eu sorri.

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