quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Love Can't Be Feared - Capítulo 43 - Let me tell you a story, about a girl and a boy

 
O Jimmy foi na maior velocidade possível e nós estávamos quase perto do aeroporto. Olhei no meu relógio. Eram 3:30 e o vôo do Justin era as 4:00. Estava parecendo que tudo ia dar certo quando um guarda de trânsito parou o Jimmy pela alta velocidade.


-Gabi, você vai ter que fazer isso sozinha ok?

-Ok, brigada Jimmy. Por tudo. Da um beijo a todos por mim - eu dei um beijo na bochecha dele. - Você é o melhor irmão do mundo.

Eu já estava chorando, mas agora não era tempo para chorar. Peguei minha mala e fui correndo a pé para o aeroporto. Eu nem sabia por onde entrar, só sabia que eu ia dar um jeito. Era um aeroporto bem grande, grande mesmo. Tentei localizar o Justin em todas as partes mais ele simplesmente não estava lá. Comecei a sentir um frio na barriga. Ele nunca iria embora sem mim, certo? Isso nunca acontecia nos filmes, não é mesmo? Escutei uma voz.

-Últimos passageiros do vôo para Los Angeles por favor entrem no portão sete. Últimos passageiros do vôo para Los Angeles por favor entrem pelo portão sete, última chamada". 

Olhei no meu relógio. 5 minutos para as quatro. Conferi as programações do telão. O vôo de Los Angeles era o único as 4 horas. O vôo de Justin. 
Sai em disparada até o portão sete mais não havia ninguém nos bancos daquele portão. Não, ele não podia ter ido embora. Ele iria aparecer a qualquer momento tapando as mãos em meus olhos e logo perguntar "Adivinha quem é?" e então nós nos olharíamos nos olhos e sorririamos como se dana nos interferisse. Corri até a moça que recolhia as passagens.


-MOÇA POR FAVOR EU PRECISO DE UMA PASSAGEM PARA ESSE VÔO AGORA.

-Senhorita não é possível. A última chamada já ocorreu. Espere o próximo vôo e compre na bilheteria.

-NÃO, VOCÊ NÃO TA ENTENDENDO! EU PRECISO DE UMA PASSAGEM PARA ESSE VÔO, POR FAVOR, EU PAGO O DOBRO, QUALQUER COISA!
-Senhorita, ou você compra a passagem para o próximo vôo, ou fica quieta ou eu terei que chamar os seguranças.


Dei um tapinha de leve no balcão, escondi os lábios e virei a cara para as cadeiras mais o que eu queria realmente ter feito era ter dado um soco naquela mulher. Era realmente tarde demais. Ele havia ido MESMO sem mim. Não, aquilo não podia acabar assim. Era impossível. Quando duas pessoas são feitas pra ficarem juntas parece que tudo as impede não é mesmo? Localizei uma porta escrito "Acesso só para pessoas autorizadas, pistas de aviões".
Passou pela minha cabeça um rápido "Gabriela não faça isso, não faça isso" até que abri a porta, desci as longas escadarias e cheguei até a pista acenando para o avião gritando "JUSTIN! EU TE AMO!". A polícia chegou. Merda. MENTIRA NADA DISSO ACONTECEU. ISSO NÃO É NENHUM FILME DO TOM HANKS NEM NADA XENTI. 


Me sentei em um dos bancos do portão sete. Me sentindo totalmente arrasada, deprimida, abandonada, tudo ao mesmo tempo. E chorei sem deixar uma lágrima escapar. Aquilo era demais para mim. Escondi meu rosto em meus joelhos e senti alguém sentando em meu lado.

Só devia ser mais um pai que havia abandonado seus filhos para uma viagem de negócios e era esse tipo de pessoa que eu evitava. Eu não queria levantar o rosto e ver a cara de cú daquele ser mais eu não sei... Ele parecia ter um cheiro parecido, um cheiro familiar

-Hum.... Olha que esquisito... - ele fez um peteléco no jornal que estava lendo - Neta não reconhece avô em aeroporto.

Levantei a cabeça lentamente olhando reto, esperando todo mundo menos aquela pessoa naquele momento. Dei um sorriso. Como eu podia ter esquecido? Era cheio de charuto. Eu abracei ele.

-Vôvô!

Meu avô era uma das pessoas mais próximas a mim. Ele era o substituto do meu pai. Literalmente. Eu sempre fiz com ele tudo. Gente tão engraçada como ele não se via todo dia. Eu amava ele.

-Pequena, os ares dos Estados Unidos estão fazendo você esquecer coisas - ele olhou para o meu rosto - e até mesmo a fazer você chorar por amor, não é mesmo?

Eu enxuguei minhas lágrimas, toda orgulhosa olhando para frente.

-Eu não queria chorar. Mas eu amo ele demais.

-Hum deixa eu adivinhar. Ele era um idiota?

-Não... Eu que sou. 

-Gabriela Oliveira se culpando? Você foi abduzida ou coisa do tipo?

-Eu... Eu deveria desistir?

-Eu deveria desistir? - ele repitiu - Que clichê o que eu vou dizer agora mas pensa bem... E se Pedro Alvares Cabral tivesse desistido de explorar a América? E se Deus tivesse desistido do homem? E se Romeu tivesse desistido de Julieta? É... São perguntas sem respostas. Ou você toma um caminho ou toma outro, não tem volta, a escolha é difícil... Hum... Realmente, - ele voltou a olhar para o jornal - uma garotinha chorando por amor em um aeroporto não deveria ser tão fraca assim.

Eu ergui a cabeça. Eu adorava esse jeito que meu avô me dizia que eu estava errada sem dizer, me mostrando o que eu deveria fazer.

-Você acha que vai dar certo?

Ele tirou os óculos e olhou bem nos meus olhos.

-Minha pequenina, Gabriela, você não acha que deveria parar de fazer perguntas para aqui, - ele apontou para a sua cabeça (cérebro) - e começar a fazer para aqui? - ele apontou para o meu coração.
Eu levantei da cadeira e dei um abraço nele.


-Eu te amo vôvô.

-Ei, ele tem que realmente valer a pena para eu abrir mão da sua companhia na nossa fazenda.

-Ele é... Você ta indo pra fazenda?

-O vinhedo sente minha falta.

-To com saudades de lá.

Era a fazenda de meu avô na Virgínia...

-Bom... Eu acho que tenho que comprar meu bilhete - eu peguei minha mala - Te vejo por ai?

Ele sorriu.

-Só não vai se esquecer de mim.

-Nunca - eu dei as costas e fui até a bilheteria. 

Comprei minha passagem e fiquei esperando anciosamente. Eu estava tão feliz que as horas passaram como segundos e eu finalmente pude olhar para a janela do avião e saber que eu estava fazendo a coisa certa. 
É, eu estava indo atrás dele.

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